oi, eu sou a nina!

oi eu sou a nina

há 15 anos, eu conheci os filmes do chamado primeiro cinema. foi no comecinho do curso de rádio e tv, na faculdade cásper líbero. aqueles filminhos estranhos e cheios de personagens enigmáticas mexeram muito comigo.
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naquela época, eu coordenava um cineclube. ao longo de quatro anos, trabalhei todos os dias por aquele projeto, que foi minha verdadeira formação em cinema.
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participei também de um grupo de teatro amador e cheguei a ser professora por um tempo. eu amava elaborar exercícios e jogar com os alunos, provocar e ser provocada por eles.
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aos 24 anos, entrei no curso de letras, na universidade de são paulo, com o objetivo de me tornar pesquisadora de cinema. retomei os filmes antigos e decidi começar pela iniciação científica. e, assim, ingressei na pesquisa acadêmica.
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tudo o que vivi até agora constitui a pesquisadora acadêmica que sou hoje: a pesquisa independente, a pesquisa coletiva, a preocupação com a exibição cinematográfica, as experiências nas salas de aula e de ensaio, a teoria literária.
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nem sempre eu soube valorizar o meu percurso.
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mas hoje eu sei que foi justamente tudo isso que me trouxe até aqui – incluindo os momentos de confusão e aparente fracasso.
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e a pesquisa que eu faço hoje, no doutorado, sobre erotismo e morte no primeiro cinema brasileiro, é profundamente marcada pelo cineclubismo, pelo teatro, pela literatura – e por todas as ninas que eu já fui.
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sempre gostei de conversar com outros pesquisadores sobre processos de criação.
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primeiro, por curiosidade: como outros pesquisadores lêem e escrevem? como se organizam, como lidam com os momentos de incerteza e confusão?
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depois, por perceber que não se fala muito nisso. não é estranho que a gente não tenha a menor de ideia da rotina dos nossos colegas, orientadores e autores?
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e, por último, por sentir que a troca é uma forma muito poderosa de aprender e de ajudar.
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essa sempre foi uma parte importante da minha vida como pesquisadora: ouvir, acolher, provocar, sugerir. então resolvi transformar isso que venho praticando há anos em um projeto: desmistificar a pesquisa e a escrita acadêmicas por meio da escuta, de provocações e exercícios.
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em junho de 2020, empurrada pelos sentimentos difíceis da pandemia, comecei a compartilhar reflexões sobre isso no meu perfil do instagram. e pesquisadores incríveis foram se aproximando. porque não estamos sozinhos. compartilhar afetos é fundamental no enfrentamento de nossas dificuldades, que são coletivas. criar espaços de troca é urgente.

mais sobre o blog e a minha trajetória acadêmica, na aba sobre.

NA MOSCA! #12 – Explorando o filme “Metrópolis” de Fritz Lang

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Lembram do post que eu fiz sobre o Teatro Óptico de Émile Reynaud? A dica da semana é parecida: vou indicar outro tour virtual do site da Cinemateca Francesa! Dessa vez é sobre o robô do filme “Metrópolis” (Fritz Lang, 1926).

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Como no final do filme o robô é queimado (e foi, de fato, queimado nas filmangens), só existem hoje as réplicas. Uma delas está na Cinemateca Francesa (vi outra na Deutsche Kinemathek de Berlim). O tour mostra um pouco como ela foi feita e fala também do robô original, que foram feitos pelo mesmo escultor.

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A principal diferença entre o robô do filme e as cópias é que o primeiro era uma espécie de roupa, já que a atriz Brigitte Helm tinha que caber dentro! A cópia tem um manequim por dentro, para fortalecer a estrutura.

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Mas toda essa parte do tour, apesar de interessante, não é o mais legal…

A minha dica é explorar a seção about the work, que trata da restauração do filme.

Uma cópia em 16mm, muito danificada, foi encontrada em Buenos Aires. No começo ninguém deu muita atenção a isso, mas quando a película chegou na Alemanha, os pesquisadores envolvidos na preservação do filme perceberam que se tratava de um achado valiosíssimo. O filme foi restaurado e, a partir dessa cópia, um quarto do filme foi recuperado. É como diz Paolo Cherchi Usai, um dos mais importantes pesquisadores da área: os filmes podem ser encontrados em qualquer lugar, quando menos se espera…

Vale a pena conhecer um pouco mais sobre esse caso, que nos ajuda a entender que o filme é um objeto sempre múltiplo e complexo. E que o cinema antigo, ao contrário do que muitos pensam, está em constante transformação!

O site está disponível em inglês e francês. Para acessar é só clicar aqui.

Todas as dicas da semana podem ser vistas na série na mosca.

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Diário da Giornate 2014 #5 – a coleção do padre Joseph Joye

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No Diário da Giornate 2014 de hoje vou falar sobre a coleção de Joseph Joye, da qual veremos alguns títulos no festival deste ano.

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O padre Joye (Desenho anônimo, 1920)

Joseph Joye (1852-1919) foi um padre suíço que, como muitas outras pessoas ligadas à Igreja, exibia placas de lanterna mágica e filmes com propósitos educativos. O que o diferencia da maior parte dos outros padres exibidores, é a dimensão de sua coleção. São centenas de títulos, que abrangem o período de 1905 a 1914. Não sabemos quais serão exibidos na Giornate, mas a coleção parece ter mais de 1000 curtas diferentes, de diversos gêneros como comédias, melodramas, travelogues, filmes de trucagem, contos de fadas, filmes coloridos etc.

A exibição em igrejas era comum no primeiro cinema. Muitos exibidores itinerantes tinham esses espaços como parceiros para a realização de eventos considerados educativos, como shows de lanterna mágica, de fonógrafo e, claro, de filmes. Os gêneros pelos quais as igrejas mais se interessavam eram travelogues (principalmente quando mostravam lugares considerados sagrados), filmes industriais e outros temas educativos e filmes bíblicos, como as paixões de cristo. No campo da ficção, os contos morais também faziam sucesso.

Além de ganhar uma porcentagem do lucro dos exibidores, as igrejas também podiam, dessa forma, tentar competir com o entretenimento barato que se espalhava pelos teatros comerciais, considerados por elas como imorais. Para motivar o público a optar pela Igreja, alguns padres americanos chegaram a oferecer, além dos filmes educativos, até comida de graça!

Essas relações entre a igreja e o cinema são muito interessantes porque nos chamam a atenção para a diversidade dos meios de exibição do primeiro cinema e para o esforço de diferentes grupos religiosos no sentido de influenciar o modo de recepção dos filmes no período.

Agora resta descobrir o que teremos a oportunidade de ver em outubro!

A sessão será realizada em comemoração dos 50 anos da AIRSC (Associazione Italiana per le Ricerche di Storia del Cinema). Olha só o convite:

airsc

A 33a. edição do festival Le Giornate del Cinema Muto começa neste sábado, dia 4! Como já disse, estarei lá aproveitando ao máximo a experiência. E, quando eu voltar para o Brasil, contarei tudo aqui no blog!

Para ver todos os posts que eu fiz sobre a Giornate 2013, é só acessar a série Diário da Giornate. Os posts sobre a Giornate 2014 estarão organizados na série Diário da Giornate 2014.

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NA MOSCA! #11 – Europa Film Treasures

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A dica dessa semana é, como em muitas outras semanas, filmes para assistir online!

O Europa Film Treasures era o site mais legal da internet (pelo menos para mim!). Era um acervo gigantesco de filmes de cerca de 30 arquivos europeus diferentes, onde era possível pesquisar por década, gênero etc… Os filmes tinham boa qualidade e cada um era acompanhado de textinhos preciosos, cheios de informações interessantes. A parte triste é que o site, que era mantido pela Lobster Films, está fora do ar desde o ano passado.

Mas, recentemente, uma pequena parte daquele acervo maravilhoso passou a ser disponibilizado novamente em forma de curadorias semanais no site do canal de TV francês ARTE.

Na primeira semana, o tema foi viagem. Meu destaque vai para “Un voyage en aéroplane avec Wilbur Wright à Rome” (1909). Foi a primeira vez (ou uma das primeiras vezes, hehe) em que se filmou de um avião. O resultado é uma phantom ride emocionante!

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Mais sobre phantom rides aqui.

Na segunda semana, o tema foi cor. Meu destaque vai para “Le moulin maudit” (1909). Não é à toa que as cores da Pathé são tão famosas…

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Mais sobre cor aqui. Ah, já falei sobre o filme “Le Moulin maudit” neste post.

Na terceira semana, o tema foi Méliès e outros “magos” do cinema. Meu destaque vai para “L’Araignée d’or” (1909). Tem cenas muito lindas e divertidas em stop motion:

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Para ver todos os filmes, clique aqui. O site é em francês.

Estou curiosa para saber o que está reservado para as próximas semanas!

Todas as dicas da semana podem ser vistas na série na mosca.

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Até breve!

Estou escrevendo para avisar meus queridos leitores que estou indo viajar. De 4 a 11 de outubro estarei em Pordenone, na Itália, para acompanhar o Le Giornate del Cinema Muto, o mais importante festival de cinema silencioso do mundo!

Ano passado eu fui selecionada como parte do programa para jovens estudantes que a Giornate mantém há 16 anos. O Collegium, como é chamado, consiste basicamente em uma série de palestras sobre restauração de filmes, história do cinema mudo e outras questões ligadas ao tema. Os selecionados têm estadia de graça na cidade durante a semana do festival e depois devem escrever um texto sobre algum aspecto dessa semana super intensa, o Collegium Paper.

Depois de ir pela primeira vez como collegians, os jovens selecionados têm a oportunidade de retornar no ano seguinte como mentors. E, como eu já disse, é isso que eu vou fazer!

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Vou aproveitar para passar uma semana em Paris e depois também irei para Nova Iorque. É claro que essas viagens vão render posts para o blog. Pretendo visitar a Cinemateca Francesa, a recém-inaugurada Fondation Jérôme Seydoux-Pathé e outros lugares em que o cinema antigo é o protagonista!

Então podem esperar muitos posts sobre a Giornate e essas outras experiências em breve!

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David Robinson, diretor do festival, na abertura da edição passada: “Welcome home!”

Nem acredito que terei a oportunidade de, mais uma vez, assistir a tantos filmes incríveis e estar perto de tanta gente interessante! :)

Ah, e não vou deixar o blog abandonado durante minha ausência! Preparei alguns posts para esse período: dicas da semana e alguns comentários sobre a programação da Giornate ainda vêm por aí… Para ver todos os posts que eu já escrevi sobre a edição desse ano do festival, clique aqui.

Até breve, pessoal!

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