Até breve!

Estou escrevendo para avisar meus queridos leitores que estou indo viajar. De 4 a 11 de outubro estarei em Pordenone, na Itália, para acompanhar o Le Giornate del Cinema Muto, o mais importante festival de cinema silencioso do mundo!

Ano passado eu fui selecionada como parte do programa para jovens estudantes que a Giornate mantém há 16 anos. O Collegium, como é chamado, consiste basicamente em uma série de palestras sobre restauração de filmes, história do cinema mudo e outras questões ligadas ao tema. Os selecionados têm estadia de graça na cidade durante a semana do festival e depois devem escrever um texto sobre algum aspecto dessa semana super intensa, o Collegium Paper.

Depois de ir pela primeira vez como collegians, os jovens selecionados têm a oportunidade de retornar no ano seguinte como mentors. E, como eu já disse, é isso que eu vou fazer!

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Vou aproveitar para passar uma semana em Paris e depois também irei para Nova Iorque. É claro que essas viagens vão render posts para o blog. Pretendo visitar a Cinemateca Francesa, a recém-inaugurada Fondation Jérôme Seydoux-Pathé e outros lugares em que o cinema antigo é o protagonista!

Então podem esperar muitos posts sobre a Giornate e essas outras experiências em breve!

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David Robinson, diretor do festival, na abertura da edição passada: “Welcome home!”

Nem acredito que terei a oportunidade de, mais uma vez, assistir a tantos filmes incríveis e estar perto de tanta gente interessante! :)

Ah, e não vou deixar o blog abandonado durante minha ausência! Preparei alguns posts para esse período: dicas da semana e alguns comentários sobre a programação da Giornate ainda vêm por aí… Para ver todos os posts que eu já escrevi sobre a edição desse ano do festival, clique aqui.

Até breve, pessoal!

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diário da Giornate – 40 quilos de Film Fair

Diário da Giornate

Mais um post com o meu relato da Giornate del Cinema Muto deste ano! Agora vou contar um pouco sobre a Film Fair, uma feirinha que é montada todo ano dentro do teatro onde acontece o festival.

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Lá ficam à venda muitos DVDs, livros e revistas especializadas. Eram quatro stands: um com as publicações da Giornate, que era o maior e onde as coisas eram mais baratas, um de uma editora italiana de DVDs (essa que está em primeiro plano na foto acima, Ermitage), um da John Libbey Publishing, com o próprio John Libbey, que aparentemente está lá todo ano, e uma última muito curiosa, de Camillo Moscati, que vendia desde fotos antigas até brinquedos do Tarzan!

Como aqui no Brasil é bem difícil de achar publicações sobre o cinema silencioso, a Film Fair era o paraíso pra mim! Gastei todo o meu dinheiro lá, o que me rendeu muita coisa boa para ler agora, mas muitos problemas para carregar a mala no trajeto de volta para casa…

Comprei algumas revistas…

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Alguns DVDs…

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E livros sobre assuntos diversos…

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Não vou mostrar tudo porque todos me achariam louca!!! :) Eu quis aproveitar a oportunidade de ter acesso a tantos livros (com bons descontos!). Mas o peso foi realmente um problema pra mim. Na volta minha mala pesava 40 quilos e eu tive que carregar tudo sozinha pelas intermináveis escadas das estações de trem. Claro que a alça da mala quebrou e o trajeto foi uma odisseia! Mas deu tudo certo no final e o que importa é que agora eu tenho um monte de coisas novas para ler! :)

Do lado da Film Fair, ficavam alguns computadores que os convidados da Giornate podiam usar:

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Bom, por enquanto é isso! Só queria mesmo mostrar como era, hehe! No próximo post vou falar sobre a sessão de abertura do festival, que foi a exibição de “Blancanieves”, um filme silencioso contemporâneo. Rolou uma grande polêmica por causa do uso que o filme faz de touros (grande parte da estória do longa é dedicada a touradas). Explicarei tudo no próximo relato!

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diário da Giornate – a chegada do trem a estação de Pordenone

Diário da Giornate

Acabo de voltar de Pordenone! Finalmente vão começar aqui no blog os posts com os meus relatos sobre a 32a. edição da Le Giornate del Cinema Muto, o mais antigo e importante festival sobre cinema silencioso do mundo! Como eu já disse aqui, eu fui para o festival com as acomodações pagas porque fui selecionada como membro do Collegium, o programa para jovens estudantes que eles têm por lá. Hoje vou comentar só algumas poucas coisinhas. Ainda estou muito cansada – fisicamente e emocionalmente! Foi uma semana super intensa.

Não quero falar só dos filmes ou dos diálogos (como eles chamam as aulas do Collegium). Quero também compartilhar por aqui algumas experiências da viagem… Vou começar falando sobre o primeiro dia: a chegada, as acomodações, a cidade etc.

esta sou eu, logo que cheguei na estação de Pordenone

Como eu já comentei aqui no blog, estou tentando preparar um projeto de pesquisa sobre filmes de viagem, especialmente os phantom train rides e filmes do primeiro cinema relacionados a trens em geral. Aqui no Brasil não temos muitos trens como na Europa, então não estou acostumada a andar de trem! Foi uma grande emoção, pra mim, chegar em Pordenone em um trem…

Chegando na cidade, fui direto para o hotel. Os convidados do festival ficam em dois hoteis. Os convidados normais ficam no Hotel Santin (que é um pouquinho mais longe do teatro onde o festival acontece) e os importantes ficam no Hotel Moderno (que fica do lado do teatro).

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Eu dividi o quarto com Ayşe, uma jovem londrina que já tinha sido membro do Collegium no ano passado. Ou seja, ela era uma “mentor” esse ano. Depois explico melhor sobre isso. Ela tem um blog bem legal sobre Chaplin: Charlie’s London.

Depois fui para o escritório do festival para pegar minha bolsa (com catálogo, alguns brindes, meu ingresso para a sessão de abertura e meu crachá)!

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No primeiro dia eu dei uma volta pela cidade, para conhecer de verdade o lugar (já tinha andado muito no Google Street View, haha!). É uma cidade muito pequena, rica e bonita. Todas as lojas, restaurantes e cafés tinham posters da Giornate. Até os quartos do hotel são decorados com posters de edições anteriores…

vitrine de uma loja de doces com o logo da Giornate feito de chocolate!

Na próxima foto dá pra ver a praça principal da cidade. À esquerda está o escritório do festival (que não aparece, na verdade), depois tem o café/bar onde todos se encontram sempre (esses toldos na calçada), no fundo está o hotel Moderno, onde ficam alguns convidados do festival, e à direita (também não aparece), fica o teatro Verdi, onde acontecem as projeções e onde fica a Film Fair.

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E aqui o Teatro Comunale Giuseppe Verdi, a sede do festival:

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Nesse primeiro dia tivemos uma reunião fechada do Collegium (normalmente as sessões são abertas ao público interessado, mas essa primeira e a última não são divulgadas e são só para os membros do grupo). Lá estava David Robinson, o diretor do festival, e Riccardo Costantini, que cuida da parte mais organizacional do Collegium. Todos se apresentaram. Uau, gente de todo o mundo! Vou falar mais sobre isso depois, mas só para dar uma ideia: tinha gente da Índia, da França, da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Itália, da Holanda… E além de mim tinha mais uma pessoa do Brasil, a Juliana, que trabalha com restauração.

Uma coisa legal é que o Riccardo se colocou à disposição para nos ajudar a encontrar pesquisadores e professores que quiséssemos entrevistar. Claro que já fui pedir a ajuda dele porque queria encontrar com Charles Musser e Tom Gunning. Quando eu disse isso, ele logo respondeu “bom, você sabe que eles são as duas pessoas mais importantes que estão na cidade, né?”. :)

Bom, Gunning não estava lá, mas no final das contas eu me encontrei com Musser! Mas essa estória fica para um próximo post!

Nas próximas publicações deste Diário da Giornate vou comentar as sessões de abertura e encerramento, os “diálogos” do Collegium e as coisas mais legais do festival, como as sessões de filmes mexicanos, as sessões de primeiro cinema, a sessão narrada por um benshi japonês e a estreia de “Too much Johnson” (o filme perdido de Orson Welles). E, claro, vou falar também sobre os novos amigos que fiz e os pesquisadores com quem conversei! Não vou comentar tudo porque não terminaria nunca. Mas esses tópicos foram os mais marcantes!

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até breve!

Um post curtinho só para meus poucos (e queridíssimos) leitores não se sentirem abandonados! :)

Amanhã vou viajar! Antes de chegar em Pordenone para a Giornate del Cinema Muto vou passar por Roma e Veneza. Não vou conseguir postar aqui no blog.

Mas, pelo menos de Pordenone, vou tentar postar algumas fotos e notícias do festival. De qualquer maneira, quando eu voltar, farei muuuuitos posts sobre tudo que eu vou conhecer por lá. Principalmente sobre as sessões do Collegium, que é o programa para jovens estudantes para o qual eu fui selecionada!

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O festival começa dia 5 de outubro. Dia 14 estou de volta ao Brasil.

Um beijo e até logo!

Essa moça bonita no poster da Giornate desse ano é Anny Ondra. Veremos muuuitos filmes dela por lá! Aqui nesse link dá pra acompanhar a programação.

diário da Giornate – o cinema sueco que veremos em Pordenone

Diário da Giornate

Já comentei os filmes suecos de Gustaf Molander e o de Anthony Asquith que serão exibidos na Giornate desse ano. Mas a sessão Sealed Lips é formada também por títulos de outros diretores. São eles:

— “FLICKAN I FRACK” [The girl in tails] (1926, Karin Swanström) —

Flickan i frack (1926) Filmografinr 1926/07Karin Swanström foi uma atriz sueca que participou de muitos filmes dos anos 1920 aos anos 1940. Entre 1923 e 26 ela dirigiu quatro filmes e esse parece ter sido o último. Na década de 1930 ela teve um cargo importante na Svensk Filmindistri. Lançado como The girl in tails nos EUA, o filme conta a história de uma menina que vai a um baile vestida com roupas masculinas porque seu pai não quis comprar um vestido novo para ela. A situação é, claro, um escândalo, principalmente porque ela bebe e fuma charutos.

girl in tails

Parece levantar questões interessantes sobre o cross-dressing!

— “DEN STARKASTE” [The Strongest] (1929, Alf Sjöberg, Axel Lindblom) —

Den starkaste (1929) Filmografinr 1929/04

Já vimos esse nome por aqui! Axel Lindblom é o responsável pela incrível fotografia de “A cottage on Dartmoor“. E nesse “Den Starkaste” ele assume o mesmo papel, além de dividir a direção com Alf Sjöberg, que estava dirigindo pela primeira vez. Foi um dos últimos filmes mudos suecos de importância. Parece ser um filme que tem um tom documental e grande atenção às paisagens (a história se passa na Groenlândia). Também parece ser possível identificar a influência de Eisenstein… Uau, esse promete muito!

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— “KONSTGJORDA SVENSSON” [Artificial Svensson] (1929, Gustaf Edgren) —

Konstgjorda Svensson (1929) Filmografinr 1929/03Recém restaurado, esse filme é considerado o primeiro filme sueco com som sincronizado. Esse filme parece ser um goat gland. Até esses dias eu não conhecia esse termo, mas é como eram chamados os filmes silenciosos feitos no final dos anos 1920 para os quais eram feitas algumas cenas faladas. Eram híbridos feitos para terem maior apelo para o público da época, que estava sedento por talkies, desde que “O cantor de jazz” havia sido lançado. Um exemplo incrível desse tipo de filme de transição é “Lonesome” (Pál Fejös, EUA, 1928), que foi exibido na nossa Jornada Brasileira de Cinema Silencioso em 2008.

Um dos atores do filme é Sven Garbo, o irmão mais velho de Greta Garbo!

— “RÅGENS RIKE” [The Kingdom of Rye] (1929, Ivar Johansson) —

Rågens rike (1929) Filmografinr 1929/05Sobre esse não encontrei quase nenhuma informação… Sei que o filme se passa no campo e que é baseado num poema finlandês. Ah, também vi que era um dos filmes preferidos de Ingmar Bergman… Informações super relevantes! hahaha

Ufa, tentar descobrir informações sobre esses filmes não foi fácil… E viva o Google Tradutor! ;)