NA MOSCA! #10 – “A contadora de filmes”

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A indicação desta semana é o pequeno livro “A contadora de filmes” (2009) do escritor chileno Hernán Rivera Letelier, lançado no Brasil pela editora Cosac Naify.

O livro trata de um povoado de mineiros no deserto chileno do Atacama pelo olhar da menina Maria Margarida, eleita a melhor contadora de filmes de sua família. Sempre que podiam pagar, ela ia sozinha para o cinema da cidade e, quando voltava, encontrava seu pai e seus irmãos todos arrumados, prontos para assisti-la. Suas interpretações, que incluíam todas as cenas, diálogos e detalhes dos filmes, ficam famosas na vila e uma multidão passa a se reunir para vê-la.

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“A contadora de filmes”

Tudo isso é narrado pela própria menina, que se dirige ao leitor como se falasse para um público, do mesmo jeito que narrava os filmes.

É um texto simples, mas muito instigante. Quando li esse trecho, reproduzido na quarta capa, não pude resistir a comprar o livro:

Certa vez li por aí, ou vi num filme, que quando os judeus eram levados pelos alemães naqueles vagões fechados, de transportar gado – com apenas uma ranhura na parte alta para que entrasse um pouco de ar -, enquanto iam atravessando campos com cheiro de capim úmido, escolhiam o melhor narrador entre eles e, subindo-o em seus ombros, o elevavam até a ranhura para que fosse descrevendo a paisagem e contando o que via conforme o trem avançava.
Eu agora estou convencida de que entre eles deve ter havido muitos que preferiam imaginar as maravilhas contadas pelo companheiro a ter o privilégio de olhar pela ranhura.

É um livro essencialmente sobre cinefilia, mas é também o relato de diversas formas de violência, que a garota sofre por ser mulher e por ser pobre. Há poucas referências ao cinema mudo, mas ainda assim achei que seria bacana indicar aqui no blog. Através do relato de uma contadora de histórias em um povoado isolado, o livro nos faz lembrar da importância da experiência coletiva do cinema.

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A Lorota aprova!

Todas as dicas da semana podem ser vistas na série na mosca.

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Uma resposta

  1. Muito instigante mesmo a narrativa de imagens. Porque é bem isso que faz um contador/narrador. Talvez, com os olhos da imaginação a gente crie imagens bem mais interessantes (pelo menos para nós) do que as reais, que inspiram a narrativa.
    E, desse modo, todo mundo que ouvia a menina assistia um filme único, porque pessoal, embora a matriz fosse a mesma para todos os ouvintes.
    A gente pode, até, ficar imaginando a menina a narrar os filmes que mais nos tocaram. Como seria a sua narrativa?

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