Diário de Karlsruhe I – introdução

Hoje vou contar um pouco sobre como foi a minha experiência como membro do Collegium do Stummfilm Festival de Karlsruhe, no mês passado.

Mapa Karlsruhe

Mapa da cidade.

Karlsruhe é uma pequena cidade localizada no estado de Baden-Württemberg, na Alemanha. O festival já tem 12 anos, mas foi só agora que eles criaram esse programa para jovens estudantes.

Como eu já comentei bastante aqui no blog, no ano passado fui selecionada também para participar do Collegium da Giornate del Cinema Muto, em Pordenone, na Itália. As experiências foram bastante diferentes porque os festivais e os Collegiums têm propostas e dimensões diferentes. O programa italiano já têm uma certa tradição (ano passado foi a 32a edição do Festival e 15a edição do Collegium), enquanto o alemão está apenas começando. Em Pordenone, éramos 12 jovens (mais os chamados “mentors”, que são os Collegians do ano anterior que podem retornar), já em Karlsruhe, éramos apenas 5. A Giornate é um evento gigantesco, onde você pode encontrar todos os figurões do mundo do cinema silencioso, enquanto o Stummfilm-Festival é bem menor e está recebendo convidados internacionais apenas agora.

Tudo isso fez as minhas duas experiências serem bem diversas. A Giornate é uma loucura, você conhece muita gente nova por dia, vê muitas coisas diferentes, é uma avalanche de informações… Mas em Karlsruhe, justamente por ser um festival bem menor, você tem a chance de conhecer as pessoas com mais calma, de conversar de fato com cada um… Mas a principal diferença está na proposta do próprio programa ou, como eles chamavam em Karlsruhe, o Workshop.

Em Pordenone, os jovens selecionados devem participar das sessões diárias do Collegium, que são palestras/debates com pessoas que trabalham em diferentes áreas, como restauração, arquivos, pesquisa… Eu sei que ainda estou “devendo” escrever por aqui mais detalhes de pelo menos algumas dessas sessões, mas já adianto que nem todas são muito interessantes e que a ideia de que os jovens participem ativamente das discussões não é levada a cabo porque todo o clima das sessões é muito formal, com o uso de microfones e uma certa distância… Depois do término da maratona que é a semana do festival (as projeções começam às 9 horas da manhã e terminam depois da meia-noite!), cada um de nós deve escolher um aspecto da programação e escrever um artigo (não-acadêmico, eles fazem questão de enfatizar) que é publicado depois. (Quando eu fizer um post melhor só sobre esse assunto, eu atualizo aqui com o link.)

Já em Karlsruhe, os jovens são convidados a fazer uma fala sobre o tema do festival. A cada ano eles escolhem um tema para guiar a curadoria dos filmes (sempre filmes mudos) e o tema deste ano foi “cross-dressing”. A inscrição para participar do programa era justamente uma proposta de fala ligada ao tema. Este post que eu escrevi sobre cross-dressing no primeiro cinema foi justamente baseado na proposta que eu mandei para me inscrever. Além disso, o Workshop contou com a presença de uma professora convidada, Laura Horak. Ela é pesquisadora da Universidade de Estocolmo e é especialista em gênero e sexualidade no cinema silencioso.

karlsruhe poster

Divulgação do festival na cidade.

E essa proposta faz toda a diferença! É uma forma muito interessante de dar a voz aos estudantes. E é também muito produtivo porque determina um foco de discussão para todo o período do festival (que são, infelizmente, apenas 4 dias!). Foi muito curioso assistir a tantos filmes que tratam de uma mesma questão de modos tão diferentes. E a Laura é daquelas professoras que sabem conduzir uma discussão. Então os Collegians e o público interagiram verdadeiramente construindo conhecimentos sobre o tema, mesmo que a maioria de nós não fosse especialista no assunto. Eu aprendi muito!

karlsruhe collegium

Os Collegians!

Então estes éramos nós! Federico, da Itália (o único garoto da foto), falou sobre cross-dressing em comédias americanas dos anos 1910 e 1920; Maria, da Rússia (atrás), analisou um filme russo de 1913, cujo título em inglês é “The Little House in Kolomna”; Vanessa, da Áustria (essa que segura o cartaz), apresentou uma pesquisa sobre dois filmes exibidos no festival, os alemães “The ABCs of love” (1916) e “I don’t want to be a man” (1918); eu, do Brasil (hehe), falei um pouco sobre o cross-dressing no primeiro cinema e analisei o filme “The consequences of feminism” (1906) de Alice Guy; Christina, da Alemanha (de camisa jeans), comentou um filme sueco que vimos em Pordenone no ano passado, “The girl in tails” (1926).

Vou fazer ainda mais dois post sobre esse festival, comentando com mais detalhes as apresentações de cada um e comentando os filmes exibidos. E pretendo também postar pelo menos uma parte da minha fala, claro. Mas por hoje é só!

translate this blog

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s