americanizando o cinema – segundo dia (09.09.2013) parte 1

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Agora vou contar um pouco sobre o segundo dia do curso O advento do cinema na França e nos Estados Unidos, 1905-1914 ministrado por Richard Abel na Cinemateca Brasileira. Já falei sobre o primeiro dia (em dois posts – aqui e aqui), que teve só sessões de filmes. Foi nesse segundo dia que as aulas começaram, com a palestra “O império Pathé-Frères 1905-1909“. Antes de qualquer coisa, gostaria de ressaltar que esses posts têm o intuito de compartilhar com amigos interessados um pouco sobre o curso. Não consegui anotar (e nem mesmo entender) tudo, então vou colocar alguns pontos que consegui assimilar… Por isso pode ficar um pouco confuso, às vezes…

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professor Richard Abel na Cinemateca Brasileira

Nessa aula, o professor Richard Abel se dedicou a dar um panorama geral da produção e do lugar que ocupou a Pathé Frères, nesse período (de 1905 a 1909). Sabemos que, nessa época, a Pathé era a maior produtora do mundo, devido a seu esquema de produção industrial. O professor relembrou aquela famosa citação de Charles Pathé, que é mais ou menos assim: “Posso não tê-lo inventado, mas fui eu quem industrializou o cinema!”

Depois de falar um pouco sobre os motivos para a Pathé ser a maior (que já comentamos nesse post aqui), Abel comentou um a um os principais gêneros que ela (e também a Gaumont, que estava em segundo lugar) produzia e exportava para todo o mundo:

trick films: principalmente os filmes de Segundo de Chomón, que eram coloridos com a técnica de stencil color. O exemplo que ele deu foi “Le roi des dollars” (Segundo de Chomón, 1905).

– dentro de trick films, ele citou os féeries: sempre coloridos, também, como por exemplo “La poule aux oeufs d’or” (1905), “Roses magiques” (1906), “Le Spectre rouge” (1907)… E “Oeufs de paques” (Segundo de Chomón, 1907):

phonoscènes: que são os filmes sonorizados feitos por Alice Guy na Gaumont.

animação: o exemplo, claro, foi “Fantasmagorie”, de Émile Cohl, 1908.

comédias: principalmente feitas a partir de números de vaudeville que já existiam, como “Le cochon danseur” (1907).

– dentro de comédias, o gênero dos filmes de perseguição: o exemplo que ele deu foi “Le cheval emballe” (1907). Ele disse que falta uma cena no final do filme, que seria o cavalo “posando” de frente para a câmera. Era bem comum esse tipo de plano… Lembro agora de dois exemplos: o cachorrinho com o presunto na boca em “Policeman’s little run” e o cachorro com a criança em “Recued by Rover”.

– filmes históricos e bíblicos: nesse caso ele apontou para uma diferença grande entre os filmes da Gaumont, que tinham cenários realistas e eram filmados em locação, e os filmes da Pathé, que eram feitos em estúdio, com cenários planos e coloridos.

melodramas domésticos e sensacionalistas: para ilustrar esse gênero, ele mostrou o filme “The Physician of the Castle”, de 1908, que tem um exemplo de montagem paralela.

Albert Capellani (1874-1931)

Albert Capellani (1874-1931)

Na segunda parte da aula o professor Richard Abel se dedicou a mostrar e comentar alguns filmes de Albert Capellani, importante nome do período de transição, que contribuiu muito para a mudança do sistema de tableaux para a hegemonia da narrativa. Ele criou em seus filmes, que eram dos mais diferentes gêneros, diversas formas de construir narrativas, como relações causais entre os planos, encenação em profundidade, padrões de cortes etc. De 1906 a 1908 ele trabalhou com recursos como planos de cartas, cor e narrativas em duas partes. E esse foi o período que os filmes da Pathé fizeram mais sucesso nos Estados Unidos. Como já comentei, a partir do final da década de 1900, os filmes franceses sofreram grandes censuras nos EUA por causa de cenas consideradas violentas e imorais. Capellani passava ileso a esses cortes, pois costumava criar adaptações de clássicos da literatura francesa, que eram vistos como obras superiores. Um exemplo é “Le chemineau”, baseado em “Os Miseráveis” de Victor Hugo. Assistimos esse e também “La fille du sonneur” e “Les deux soeurs”. Mas vou comentá-los em outro post, já que foram exibidos também na última sessão de filmes referente ao curso.

Como deu pra ver, o curso não foi muito analítico. Richard Abel se dedicou mais a mostrar fragmentos de publicações da época para que a gente visse a transição da hegemonia da Pathé para a tal “americanização” do cinema dos EUA e a mostrar filmes franceses e americanos para ilustrar isso. Essa primeira aula foi uma introdução ao tipo de produção que a Pathé exportava para os EUA no período de 1905 a 1909.

No próximo post da série vou comentar os filmes exibidos na sessão desse mesmo dia, que foram filmes americanos de 1912 a 1915.

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