mostra 300 anos de cinema

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Vou dar uma pequena pausa nos posts sobre a programação da Giornate del Cinema Muto de Pordenone, para começar uma nova série aqui no blog. Hoje e nos próximos dias vou falar um pouco sobre uma bela surpresa que tive essa semana!

Minha querida amiga Marina (que também ama o cinema antigo) me falou nesse domingo passado sobre um curso sobre o cinema dos primeiros tempos com ninguém menos que Richard Abel. O curso começava no mesmo dia e eu não podia perder! Não sei como eu não fiquei sabendo disso com mais antecedência… Será que a divulgação não foi muito boa ou fui eu, que estava muito perdida na ansiedade pré-Pordenone? O curso faz parte de um projeto mais amplo, a mostra 300 anos de cinema.

300anoscinemaInspirada num evento de 1955 organizado por Henri Langlois na Cinemateca Francesa, essa mostra é a programação da Cinemateca Brasileira para este mês de setembro. O evento francês homenageou Jean Renoir e celebrou os 90 anos de Jehanne d’Alcy, a viúva de Méliès. A mostra se chamava “300 ans de cinématographie, 60 ans de cinéma” (ou seja, 300 anos de cinematografia, 60 anos de cinema).

Eu achei o nome da mostra brasileira meio forçado, sabe… Dizer que são 300 anos de cinema pode banalizar o sentido dessas formas de entretenimento anteriores ao cinema. Acho que pode acabar numa visão teleológica da história das imagens projetadas, como se não houvesse outro caminho senão uma evolução em direção ao cinema… Não é à toa que a mostra da Cinemateca Francesa dizia que de cinema eram só 60 anos! Acho que disponibilizar o texto original de Langlois poderia ter contribuído para o debate.

Apesar de disso, acredito que a iniciativa de produzir essa mostra seja de extrema importância, já que a nossa Cinemateca vive um momento de profunda crise. Em um ano super parado, em que não tivemos nem a Jornada Brasileira do Cinema Silencioso, uma mostra como essa, que mobiliza diferentes frentes de atuação da instituição, é um presente!

Fiquei bem curiosa pelas projeções de lanterna mágica… Eu nunca vi “ao vivo”, hehe! Espero conseguir ver alguma coisa. Pensando nisso, lembrei desse link genial do Museo Nazionale del Cinema (Torino), que disponibiliza diversas placas de lanterna mágica, inclusive placas animadas, como essa, que é do final do século XIX:

lanterna 2

Clicando nesse link aqui, dá pra ver a placa em animação. É só clicar em play.

Nesse site no Museo Nazionale tem imagens muito legais de placas diversas… Mas a placa que mais me encanta é essa aqui:

lanterna magica menininho

O link que eu mais recomendo no mundo é esse aqui. É essa placa em animação. É a coisa mais linda que eu já vi.

Acho que essas placas fazem a gente pensar sobre o espectador do primeiro cinema. Será que era tão ingênuo assim como alguns ainda insistem em dizer? Essas placas mostram que eles já estavam familiarizados com a projeção em movimento.

Não sei que placas serão exibidas nessa mostra da Cinemateca, mas vou tentar ir ver e depois comentar aqui no blog…

Infelizmente, por causa dos preparativos para Pordenone, não poderei participar de quase nada das outras atrações da mostra, que terá também performances (?), filmes mudos com acompanhamento musical e muitas outras coisas. Estou participando só do curso de Richard Abel e é sobre isso que falarei nos próximos posts dessa série Americanizando o Cinema. Sei que esse título pode soar meio esquisito, mas eu vou explicar melhor nas próximas publicações!

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