diário da Giornate – “Pecado” de Gustaf Molander

Diário da Giornate

Synd (1928) Filmografinr 1928/08Além do filme já comentado por aquiPOLIS PAULUS’ PÅSKASMÄLL” (ou, para que a gente não se perca nesses nomes difíceis, algo como Pat e Patachon como policiais), a mostra de cinema sueco da Giornate del Cinema Muto desse ano ainda vai exibir mais três longas desse mesmo diretor, Gustaf Molander. São eles “SYND” (ou Pecado), “HANS ENGELSKA FRU” e “FÖRSEGLADE LÄPPAR” (ou Sealed Lips, o título que dá nome à mostra).

Hoje vou falar um pouco sobre “SYND“, longa de 1928 cujo roteiro foi baseado em uma peça do sueco August Strindberg de 1899, “Brott och Brott” (em inglês Crime and Crime).

SYND” é a história de um triângulo amoroso. Maurice Gérard, um dramaturgo francês mal sucedido, mora com sua esposa, Jeanne, e sua filhinha, Marion. A família está passando por dificuldades, pois ninguém quer comprar as peças de Maurice. Apesar disso, sua mulher e a menininha Marion estão sempre alegres. Ela é a perfeita mocinha: carinhosa com a filha e com o marido, sensível e sonhadora…

A atriz Elissa Landi como Jeanne em "Synd"

A atriz Elissa Landi como Jeanne em “Synd”

Logo no começo do filme, já vemos algumas indicações de que uma tragédia pode acontecer. Os problemas financeiros estão fazendo o escritor ter pensamentos um tanto sombrios… Ele acaba revelando, numa situação de desespero, o desejo de que a filha não tivesse nascido, já que agora ele não tem condições de sustentar a família.

Tudo parece que vai melhorar quando um teatro aceita uma de suas peças. Henriette Mauclerc, uma bela atriz, interpretada pela francesa Gina Manès, acaba sendo escolhida para fazer o papel principal. A estreia é um sucesso e todos, mas principalmente Maurice, ficam encantados com a interpretação da moça. Ela é o completo oposto da esposa ingênua. Ela é uma mulher dominadora que se interessa pelo escritor desde o princípio e não precisa fazer muito para que ele abandone a esposa logo depois da apresentação da peça. Digo isso porque ele é um cara totalmente sem vontade, um tonto! E ela é má, essa é a verdade! (hahaha) Pra dar uma ideia de como ela é coração-gelado: ela fica bravíssima quando percebe que Maurice está vacilando em fugir com ela por causa da filha e insinua que seria melhor se a menina não existisse.

Bom, depois de duas personagens diferentes desejarem a morte da criança, passamos a esperar por esse assassinato, o que dá um pouco de suspense à trama!

synd 3

Gina Manès como Henriette em “Synd”

A esposa é a pureza, enquanto a amante é o mal. O filme só não perde totalmente o interesse porque a interpretação de Gina Manès é muito boa – a gente acaba odiando tanto essa vilã! E assim como as mulheres são opostos caricatos, o filme também tem uma visão simplória da boemia de Paris, com uma cena num café agitado, cheio de fumaça e gente extravagante. Maurice acaba se encantando por esse mundo, de hoteis caros, champanhe e glamour. Ele é aquele cara totalmente sem vontade própria, que vai sendo levado pelos encantos da fama, do dinheiro e dessa mulher sedutora.

A cena mais interessante talvez seja a que se passa na delegacia, em que Henriette e Maurice são interrogados sobre o sumiço da menininha Marion. Claro que tudo indica que eles assassinaram a menina… O legal é que várias testemunhas são ouvidas e acompanhamos suas diferentes versões em flashback.

Assim como em “A Cottage on Dartmoor“, filme que também será exibido na Giornate esse ano e sobre o qual já comentei aqui, percebi nesse longa de Gustaf Molander alguns elementos do cinema noir de anos depois: algum suspense, crime, a presença de uma espécie de femme fatale… E talvez a iluminação também tenha alguma carga expressiva no filme, mas a qualidade da imagem não me permitiu ver direito para poder comentar. Não é um filme que eu recomendaria para quem ainda não assistiu a muitos filmes silenciosos. Nesse caso, eu sugiro assistir ao “Dartmoor”, de Anthony Asquith, que é muito mais ambíguo, cheio de sutilezas e desafiador.

Espero que na Giornate eu possa ter um olhar diferente para esse filme, que hoje não me empolgou muito. Estou ansiosa para saber o que estará escrito sobre ele no catálogo desse ano, já que não encontrei nenhum texto sobre esse longa!

De qualquer maneira, não vou contar o final para não estragar a experiência de quem quiser assistir. O filme completo está disponível no Youtube:

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