diário da Giornate – mudos do século XXI

Diário da Giornate

Hoje vou falar um pouquinho sobre um filme silencioso contemporâneo, que será exibido na Giornate del Cinema Muto desse ano.

Lago di Seta” (Renée George, Estados Unidos/Itália, 2013) é o segundo curta de uma série que será depois montada para formar o longa “7 short films about love“. O primeiro da série, “Le petit nuage” (Renée George, 2012), que se passava na França, foi exibido em Pordenone no ano passado. “Lago di Seta” se passa no Lago di Como, que fica no norte da Itália, bem perto da fronteira com a Suíça. Cada filme será feito em um país diferente e o terceiro, que já foi gravado, foi feito no Japão.

Aí vai trailer, que já dá uma ideia do que se trata:

Vou assumir: eu tenho um grande ‘pé atrás’ com filmes mudos contemporâneos, que aumentou muito depois de assistir ao “O Artista“… Bom, o caso é que a diretora desses curtas, Renée George, trabalhou (na equipe de luz) justamente em “O Artista”, que é aquele filme mudo em preto e branco que faz uma “homenagem” ao cinema de Hollywood dos anos 1920. Aquele filme que faz uma caricatura infantil do cinema silencioso. Aquele filme que, na minha opinião, presta um desserviço à pesquisa sobre o cinema dos primeiros tempos porque ajuda a fixar preconceitos que há muitos anos vêm sendo combatidos. Um filme feito por pessoas que parecem nunca ter visto um filme silencioso; um filme que só reproduz a imagem publicitária dos filmes mudos. Enfim, um filme que se fantasia com adereços exagerados e totalmente vazios de significado!

the-artist

“O Artista” e sua chuva de caretas

Ainda preciso escrever um texto aqui no blog sobre esse filme, que parece ter contribuído, apesar de tudo, para um crescimento do interesse de jovens pelo cinema silencioso. Assim como também quero escrever sobre “A invenção de Hugo Cabret“, o lindo longa de Scorsese que, esse sim, homenageia com respeito e verdade o cinema dos primeiros tempos, sem tentar se passar pelo que não é!

A diretora do curta que será exibido em Pordenone, Renée George, não só elogia “O Artista” como também se diz inspirada pela experiência de trabalhar no filme (nessa entrevista). Pelo que eu entendi, ela resolveu fazer cada curta em um país diferente porque gosta de viajar. E resolveu fazer vários curtas e montar tudo num único longa porque quer ser uma diretora de filmes longos e não uma diretora de curtas. Não quero falar mal antes mesmo de assistir ao filme, mas me parece um projeto vaidoso com filmes bonitinhos e vazios.

Apesar de ter ouvido falar que os filmes dela caminham em outra direção, que não são o pastiche que é “O Artista”, é difícil negar minha desconfiança… Ainda mais depois de assistir ao trailer e saber esses detalhes sobre a produção.

Mas… Só em outubro, depois de assistir ao curta inteiro, poderei falar mais a respeito! Depois eu volto com um post sobre outro filme mudo contemporâneo que será exibido esse ano na Giornate, “Blancanieves” (Pablo Berger, Espanha, 2012), que parece ser muito mais interessante!

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