diário da Giornate – “our gang”

Diário da Giornate

Começando a série de posts de preparação para a Giornate del Cinema Muto deste ano, vou falar um pouco sobre a sessão de Eventos Especiais, que terá a exibição de alguns filmes com novas trilhas sonoras. Dois deles são de uma mesma “família”:

No noise” (Hal Roach, 1923) com música ao vivo da Orchestra Scuola Media “Leonardo da Vinci” di Cordenons

Crazy house” (Hal Roach, 1928) com música ao vivo da Orchestra Scuola Media “Centro Storico” di Pordenone

Os dois curtas fazem parte da série Our Gang (também conhecida como The Little Rascals), que foi uma série americana de comédia que fez enorme sucesso na época. Os atores principais eram todos crianças bem jovens (alguns ainda nem frequentavam a escola!) que representavam amigos de vizinhança. A série foi produzida de 1922 a 1944! A graça dos filmes está no carisma (e caretas) das crianças, nas situações de mal entendidos e em outras situações absurdas.

our gang

No começo os filmes eram produzidos pelo estúdio do americano Hal Roach e distribuídos pela Pathé, como é o caso de “No noise”. A partir de 1927, os curtas passaram a ter a MGM como distribuidora – é dessa segunda fase o curta “Crazy house”. Depois de 1929 a série entrou na era dos filmes sonoros e continuou o grande sucesso. Em 38 Roach vendeu a série para a MGM, que continuou a produção até 44. Foram mais de 200 filmes produzidos e depois a série ainda voltou nos anos 1950 na TV. Aqui nesse link dá pra ver os títulos e datas de todos os episódios da série.

Assisti a alguns curtas da série, entre eles “Saturday Morning” (1922), o quinto episódio. Ele aparece no Youtube como “Hurrah for the Holydays!” e parece que não é a versão original: algumas cenas iniciais e intertítulos foram cortados.

Achei bem interessante em primeiro lugar pela atuação das criancas. A série foi famosa por mostrar uma interpretação verossímil, “realista” (já que naquela época as crianças eram maquiadas para se parecerem com adultos e raramente contracenavam com outras crianças). Mas o que me chamou atenção na atuação das crianças (e em outros elementos do filme, como a escolha por alguns closes específicos) foi justamente a ênfase na atração. São comédias que focam bastante o corpo das personagens e suas caretas em primeiro plano. O filme tem vários momentos em que se dedica aos animaizinhos com que as crianças brincam (sapos e filhotinhos de gatos e de patos) e a trucagens (como o sonho de Micky, o ruivinho, que lembra muito o pesadelo de “Dream of a rarebit fiend“, Edison, 1903). Enfim, há muitas cenas que enfatizam a unidade interna do plano, escapando um pouco da narrativa, que, apesar disso, vai se construindo aos poucos. Mas acho que dá pra dizer que na primeira parte do curta, em que a vida cotidiana das personagens é apresentada através de situações engraçadas dentro das casas, o que predomina é a atração.

jean darlingEm “Crazy house“, um dos que serão exibidos na Giornate, os adultos aproveitam o primeiro de abril para encher uma casa com armadilhas e diabruras das mais diversas. Eles dizem que assim voltam a se sentir como crianças. E quando as crianças verdadeiras entram na casa, o filme se concentra em uma série de cenas em que a trupe passa por esses “obstáculos”: as estátuas se mexem, os meninos tentam comer e os talheres estão moles, as comidas são de plástico… Também tem algumas trucagens legais, como sobreimpressões e efeitos de raios que saem de objetos que dão choque!

A estrela desse filme é uma das atrizes mais conhecidas e admiradas do grupo da “Our gang”: Jean Darling! Ano passado (e parece que em muitos outros anos também) ela esteve em Pordenone. Aí vai uma entrevista feita com ela na 31ª Giornate:

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Talvez essa imagem da trupe de crianças com o cachorrinho de olho pintado seja familiar a alguns…

os batutinhas

Pois é, “Os batutinhas”, o clássico da (minha, pelo menos!) infância, foi baseado na antiga série. O título do filme é justamente “The Little Rascals” e quase todas as personagens e cenas foram inspiradas na série original!

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Foi também com Hal Roach que a dupla Laurel & Hardy (“O Gordo e o Magro”, para nós) começou a carreira, no início dos anos 20. E antes de ser um produtor de sucesso, Roach trabalhou como ator de cinema no começo dos anos 1910 e logo conheceu Harold Lloyd, com quem produziu uma série de comédias.

(Esse assunto será tema de um próximo post, já que a sessão de encerramento do festival será o filme “The Freshman“, um longa dos anos 20 com Lloyd!)

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